Friday, October 25, 2002



Bueno. Agradeço ao espírito cristão do Frei Marsupio este espaço que me disponibilizou, enquanto o Blogger insiste em me ignorar no Melting Pot. Aqueles dois ou três (mais “aquelas” que “aqueles”, beijinhos profundos pra vocês, queridas) que sentiam a minha falta já podem, pelo menos, assegurar-se que continuo vivo.
*** O problema. Faz agora um mês, resolvi fazer o upgrade para o tal do Blogspot Plus, sem pub, com espaço próprio para hosting de imagens e páginas múltiplas. Bem vistas as coisas, havia alguma vantagem e o orçamento doméstico podia aguentar. Fiz todos os passos indicados, veio o débito no Visa, mas a partir desse dia a página nunca mais mudou. Todos os posts que eu faço ficam lá, na página de edição, e inclusive me aparece a mensagem “transfer successful” – só que nada muda, nem as alterações no template (que ficam gravadas mas não têm efeito). Já mandei 10 mails a reclamar, sem qualquer resposta. Se alguém tiver alguma dica, saiba um telefone ou conheça um destes rapazes da Pyra, please diga-me qualquer coisa. O Melting Pot agradece.
*** Parece que o Vaticano decidiu suavizar as medidas contra os clérigos pederastas nos EUA, insistindo no uso da vaselina.
*** Grande bronca com o boicote ao concurso Miss Mundo na Nigéria. Devido ao desagradável costume local de lapidar mulheres adúlteras, os países participantes ameaçam não enviar as respectivas lobotomizadas. Não é que isso me preocupe muito (no dia em que houver desfile de tanguinha topless e for proibida aquela treta do “meu sonho é ver a paz em todo o mundo”, aí já é outra conversa...), mas talvez alguém me possa explicar porquê foi decidido, contra um país que apedreja as suas filhas, usar este tipo de retaliação e não algo mais sério como a poeira radioativa.
*** Apanharam o sniper de Washington. Para além da acusação geral, George W. já anunciou que vai apresentar uma queixa particular, por apropriação fraudulenta de identidade. Tudo porque o rapaz disse, nas suas mensagens de tarot deixadas à polícia ao longo dos crimes, que acreditava que era Deus. “There’s a limit for every shit”, justificou-se o imperador norte americano.
*** Aqui em Espanha, o primeiro Aznar disse que só subiria o ordenado dos funcionários públicos, acima da inflação, se eles trabalhassem à tarde (normalmente o atendimento fecha depois do almoço). Não se confirma que tenha acrescentado “e se além disso ainda trabalharem pelas manhãs, o aumento será ainda maior”. O mundo é realmente uma pequena aldeia...
*** Imaginam a cara do empresário que, aproveitando uma viagem de negócios, solicitou uma puta por telefone para o quarto de hotel e lhe apareceu a própria filha? A notícia diz que o homem sofreu um ataque cardíaco e acabou no hospital, mas não se sabe se foi logo ao abrir a porta ou depois, ao pagar a fatura.

Daqui a pouco eu volto, se necessário abusando outra vez da hospitalidade dos Chapeletos. E sonhando cada vez mais com uma carmelita desnuda...

Já agora, não se esqueçam....


Saturday, October 19, 2002

O nosso Irmão Alex anda com problemas no seu Melting Pot. Parece que o Blogger não lhe deixa publicar nada... Por isso o teste aqui em baixo, onde concluímos que o problema não está na máquina dele. Portanto, que Santa Efigênia, patrona das causas obscuras, o proteja e guie no caminho da normalidade. O que vai ser difícil, porque até mesmo o saco da Santa Efigênia tem um limite...
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Friday, September 20, 2002

Perdão pela ausência.
Temos andado muito atarefados, aqui no convento, com a expectativa da canonização do nosso beato Fundador, e a rezar para que o velhote vestido de branco não seja chamado à entidade patronal antes de tal evento - senão, com a briga de foice no escuro que vai rolar em plena cúria romana, fodem-nos a festa toda e lá ficamos à espera mais uns anitos.
Mas o importante é ter fé. E paciência, como tem o Antunes da mercearia. Ontem fui lá comprar as provisões para o fim de semana, de coisas que não produzimos no mosteiro (cigarros, Johnny Walker, um DVD - trouxe "Vaginas escaldantes", incluindo o making of, dentro da caixa da "Noviça Rebelde", com um bocado de sorte o nosso amado superior diz que não tem saco pra ver a família Von Trapp pela 10ª vez e vai dormir mais cedo - gelado de chocolate com passas e a última Playboy, entre outros géneros de primeira necessidade).
Andava eu nisto, a escolher discretamente os artigos, quando reparo que o Antunes tem um olho todo negro e a cara inchada. Então, que foi isso ó Antunes, levaste com o expresso da meia-noite?, perguntei em tom de brincadeira. Não me digas nada, Marsupio, isto foi tudo por querer fazer um jeito à Alcinda (é preciso dizer que a Dona Alcinda é a mulher dele, tem quase o dobro do tamanho do Antunes em todas as direções e um sentido de humor muito peculiar). Ali havia uma história sumarenta... arregacei a batina, sentei-me num banquinho ali no canto, acendi um cigarrinho e convidei-o a desabafar.
Não foi preciso insistir, ele nem queria outra coisa. E começou a desbobinar o relato: as mulheres têm cada coisa, Marsupio, um homem não sabe o que há-de fazer para as contentar. Imagina tu que anteontem fui com a Alcinda à capital para acompanhá-la ao ginecologista; chegamos à estação e pegamos um taxi para o tal consultório. Bem, a pequena que nos tocou de motorista era uma coisa... grande, vinte e poucos, peitinhos arrebitados por baixo de uma roupa de couro, uma mulher daquelas que imaginas de tanguinha e chicote, sabes?... mas eu fiquei na minha, fingi que não via nada. Às tantas, a garota resolve acender um cigarro e a Alcinda, que já andava nervosa, decide puxar do maço e acender um também. "A madame não sabe que os passageiros não podem fumar dentro dos taxis?", soltou imediatamente a pequena, fria como um icebergue. "Tá bem, mas como você fuma pensei que não se incomodasse...", respondeu a Alcinda, meio sem graça. Travão a fundo. Quando paramos, a mulher volta-se para trás e diz "Veja bem, madame, a senhora ficava incomodada se aí o maridinho viesse trepar comigo? E de certeza que ele também fode. Pois com o cigarro no meu taxi é a mesma coisa". Ficámos eu e a Alcinda de boca aberta, espantados com a clareza do raciocínio.
Foi aí que eu me lembrei de ser útil, "Querida, se tens assim tanta vontade de fumar, eu não me importo de fazer amor com esta mocinha..." mas a ingrata da Alcindinha nem me deixou acabar, Marsupio.
Assim é, Antunes. Pelos pentelhos brancos de São Nicolau, um homem já não pode ser um cavalheiro!

Friday, September 13, 2002

11 de Setembro. Não se fala em mais nada no mundo inteiro, e neste Convento as coisas não são diferentes. Depois do jantar fiquei um bocado à conversa com os noviços e o tema andava por volta das torres gémeas de NY, claro. Já não sei porquê, mas os fedelhos começaram a lembrar aquilo que estavam a fazer nesse dia, enquanto assistiam ao espetáculo via CNN e ainda não estavam sujeitos aos rigores da disciplina monástica.
Cada um foi contando a sua história – um que acabara de se deitar depois de uma noite de esbórnia e adormeceu a pensar que era tudo do ácido, outro que soube da coisa quando saía de um exame, o Albertinho coitado que tinha voltado para casa de surpresa e encontrado a mulher no colo do vizinho de baixo, ambos nus e tão absortos na televisão que nem deram pela sua chegada e que ainda por cima o mandaram calar quando ele ensaiou um tímido protesto, até que chegou a vez do Mariano. Este é o mais tonto dos noviços, meio rechonchudo, uma figura de família burguesinha endinheirada graças a serem donos da única farmácia, deve achar que aqui dentro vai poder usar hábitos Hugo Boss ou chinelos da Emporio Armani e só porque já andou de avião tem a mania que é mais que os outros.
“Pois eu estava lá, irmãos”, falou ele com o seu ar de superioridade afectada, “naquele tempo eu trabalhava em Wall Street, sabem como é que é, e estava justamente a tomar o breakfast na Fifth Avenue, enquanto lia o Finantial Times. Pode-se dizer que assisti a tudo de camarote...”
Silêncio geral. Aquelas pobres almas, que na sua maioria nunca sequer tinham visto o mar, ficaram naturalmente embasbacados e o Mariano gozava impávido o seu triunfo, tão embalado que acabou por perder a noção do perigo: “E aqui o Frei Marsupio, onde é que andava nesse dia? A ordenhar as vaquinhas na santa paz do Convento, não?” perguntou com um sorrisinho trocista.
“11 de Setembro? Deixa ver se eu me lembro... Até tem uma certa graça falares em tetas, Mariano, porque nesse dia eu tinha ido à farmácia comprar uns remédios. Como não havia movimento, a mocinha das tetas grandes que atendia ao balcão levou-me lá pra dentro e foram três seguidas ali na sala das vacinas... ela até me disse, fradimzim, tens que aparecer mais por aqui porque trepas muito melhor do que o babaca do meu namorado, que nesta altura está em Nova Iorque, provavelmente com aquele cu gordo sentado na 5ª avenida a fingir que lê as merdas do Finantial Times...”

Thursday, September 12, 2002

Esta foi comigo e com o Frei Ancelmo (é com cê mesmo, não é erro de ortografia, vai ver o cara nasceu lá pros lados de Ouricuri...).
Aos domingos de tarde, aqui a rapaziada tem umas horas de soltura. Alguns fazem caminhadas pelo bosque, outros vão queimar teosterona a escalar os penhascos da vizinhança, o Lagarto aperta um fininho... e eu e o Ancelmo, quando há futebol, pegamos a tremedeira das 3 da tarde (uma espécie de ônibus local) e vamos até à cidade.
Quando lá chegamos, amigo não empata amigo. Cada um para seu lado, sendo que nos encontramos sempre às 8 da noite no Salão de Chá Gardénia, nem um minuto antes nem um depois, para um cházinho de tília antes de regressarmos juntos ao convento.
O Malaquias, que é o dono dessa birosca metida a coisa fina, guarda-nos sempre a mesa do fundo e vai temperando as xícaras com uma ou outra gota de uma pinga caseira, destilada na cave pela sogra. Cumprido o ritual, com a alma bastante mais leve, voltamos prá tremedeira e só acordamos quando o motorista berra “Chapeleeeeetos!!”, sinal de que chegamos a casa.
Neste domingo foi a final do campeonato, e lá fomos nós. O Atlético local fazia o último jogo em casa e, para ser campeão, até podia perder por dois a zero. Estava tudo pronto para que a torcida em festa saísse do estádio e tomasse as ruas da cidade, celebrando até de madrugada.
Mas o futebol é fodido. Às seis da tarde chego eu, suado e esbaforido, ao boteco do Malaquias e, dois minutos depois, chega o Ancelmo no mesmo estado. Sentamo-nos sem trocar palavra na mesa do costume.
“E então?” pergunto eu num sussurro, “Filhas da puta, perder um jogo destes, não dá pra acreditar...” sussurra de volta o Ancelmo, “Se não tenho deixado o radinho de pilha ligado ia ser bonita a festa...”
Santo radinho de pilha, que me safou a mim também. Então não é que, com a festa toda armada, aquelas bichonas enrustidas do Atlético já perdiam por quatro a zero ao intervalo??
Enquanto chorava ao microfone, o locutor lá se lembrou de comentar que os torcedores abandonavam o estádio às centenas, furiosos e direitinhos pra casa. Bastou ouvir isso para que a minha mais querida paroquiana abrisse uns olhos esbugalhados e, sem grandes contemplações, me botasse rapidinho do lado de fora da porta de casa dela. Provavelmente por achar que perder o título e descobrir um par de chifres, tudo no mesmo dia, poderia ser excessivo para a fleuma do seu adorado cara-metade.
A mim ainda me deu tempo para enfiar a batina e calçar os sapatos sem meias, mas o Ancelmo, coitado, teve que sair correndo e escorregar seminu pelo telhado de casa do açougueiro. Como já dizia o saudoso Dádá Maravilha, prognósticos em futebol só no final do jogo.

Friday, September 06, 2002

Faz alguns dias dei uma escapada aqui do convento e andei a passear pela net.
Há um boteco por aí que gostava de visitar, tomar um copo e dar dois dedos de conversa. A dona é um bocado de humores repentinos - ou seja, tanto pode ser uma lady transbordante de simpatia, como uma megera mal fodida por tudo e por todos. Dependia um bocado da sorte, das fases da lua e da tensão hormonal, acho eu.
Nada de tão raro como isso. Só que, da última vez, deixei um comment explicando um shot de absinto bastante apreciado neste convento, justamente porque a mocinha deixou em aberto que queria saber que cazzo era o absinto. Ela perguntou, eu respondi.
Hoje fui ver se ela tinha visto e vejo que o meu comentário foi apagado.
Por isso cada vez gosto mais das casas de putas. Pelo menos a gente sabe o que nos espera.

Tuesday, September 03, 2002

Manhã cedo, hoje tocou-me a mim receber o padeiro que vem todos os dias trazer o pão fresquinho aqui pra rapaziada.
Eu até gosto, porque ao menos sempre se conversa um pouco e se sabem as novidades. Este é um padeiro tipo motorista de taxi, ou seja, tem sempre um monólogo, uma filosofia ou um desabafo na ponta da língua.
"Há quatro segredos para arranjar um matrimónio feliz", diz-me ele. "E eu com isso, Manel? Não penso largar o celibato com esta idade".
Ele olhou-me com uma cara esquisita. "O celibato? esse frade eu nunca vi...". "Não me fodas, sua besta! Celibato quer dizer vida de solteiro, sem casamentos, como todos os frades fazem".
"Ah, bem me queria parecer que vocemecê não andava praí virado. Mas mesmo assim eu conto-lhe os segredos: primeiro, é preciso arranjar uma mulher que saiba cozinhar e limpar a casa; segundo, é preciso arranjar uma mulher com grana que pague todas as tuas contas; terceiro, é preciso arranjar uma mulher que goste muito de trepar; e quarto... é preciso arranjar maneira que as três nunca se conheçam!"
Simples parece ser, mas não sei se funciona.